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O poeta das montanhas

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Inquirim Nas alturas onde o vento sopra livre, O poeta encontra sua alma no horizonte, Entre picos e vales, sua voz vive, A natureza é sua canção, seu constante. Cada pedra conta um verso guardado, Cada nuvem carrega um sonho distante, E o eco, suave, por entre os rochedos, Repete segredos que ele deixa errante. Os rios cantam hinos de liberdade, As árvores balançam em sua melodia, Nas montanhas, ele não busca verdade, Mas o silêncio que o inspira dia a dia. Seus olhos veem mais que o céu e a terra, Veem o tempo em forma de eternidade, Pois o poeta das montanhas nunca erra, Seu coração é feito de intensidade. Voçoroca Subi montanhas em busca de sentido, Mas os ventos me falaram do vazio, Entre sonhos desfeitos e caminhos partidos, Senti o frio da vida, o peso sombrio. As pedras que pisava, firme outrora, Agora cortam meus pés, antes seguros, E os versos que um dia ecoaram sem demora, Hoje se perdem em silêncios obscuros. A cada passo, o horizonte recua, O que parecia perto se faz dista...

Ao que tudo indica

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Ao que tudo indica, algo mudou, Desde que você chegou por aqui, O coração, que antes descansou, Agora dispara só de te ouvir. Ao que tudo indica, eu estou perdido, Porque cada gesto seu é um golpe, E mesmo sem ter nada prometido, Me vejo preso à minha própria sorte. Ao que tudo indica, sou um tolo, Tentando fingir que é só impressão, Mas é só você me olhar de novo Que perco o controle da situação. Ao que tudo indica, já não há volta, Estou nas tuas mãos, sem perceber, E embora minha mente se revolta, Meu coração só quer te pertencer. Ao que tudo indica, isso é amor, Pois suas palavras têm outra cor, E tudo que antes tinha sabor, Agora só faz sentido com seu calor. Ao que tudo indica, eu desisti De tentar encontrar explicação, Porque ao teu lado, descobri Que amor não cabe na razão. Me entrego, sem reservas, sem medo, É claro, está dito e está feito. Nem faço mais questão de ser discreto, Ao que tudo indica, eu já te amo por completo.

Ampulheta

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Quantos álbuns ainda há pra ouvir? Quantos livros ainda há para ler? Quantas dores ainda há pra sentir? Quantos amores ainda vão me prender? Quantos filmes ainda há pra assistir? Quantos lugares ainda há pra conhecer? Quanto sono ainda há pra dormir? Quantas refeições ainda terei que comer? Quantas metas ainda há pra cumprir? Quanto dinheiro ainda terei que ganhar? Quanta força ainda há pra resistir? Quanto fôlego ainda terei que tomar? Quantas teorias ainda há para entender? Quantos assuntos para estudar? Quantas coisas me restam fazer? Quantos defeitos ainda terei que ocultar? Quanta alegria ainda há pra sorrir? Quantas promessas pra deixar no ar? Quanto choro ainda há pra engolir? Quantas memórias ainda há pra criar? Meus sonhos há muito tempo são os mesmos Mas já não há muito tempo pra sonhar.

Deslumbre

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Eu perdi minha juventude, fiz tudo que pude. Às vezes, espero que mude, às vezes, isso só me ilude. Eu perdi minha jovialidade, perdi a força de vontade. Às vezes culpo a idade, às vezes, isso não é verdade. Eu perdi a minha beleza, esqueci o que tinha certeza, não vejo mais com clareza, não sinto mais a leveza. Eu me fiz de louco, escapei por pouco, quis dar o troco, senti o gosto do desgosto. Mas o que não mata, fortalece. O que não sacia, apetece. Quem bate, esquece. E o silêncio também é uma prece. Agora, já não te enxergo mais. Cansei de olhar pra trás, cansei de tentar ser capaz. Simplesmente, deixe-me em paz!

Conchinha

Essa é a melhor hora do dia Esse é o momento que eu mais queria Agarradinho com meu amor, de conchinha Numa cama quentinha O mundo pode acabar Eu não ligo O tempo pode parar Eu prefiro As horas não precisam passar O sol não carece raiar O alarme não ouse soar Rendam-se todos à simplicidade do amar

Par perdido

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Onde estará você, minha bonança, Na imensidão deste mundo, perdido, sem esperança? Procuro por ti, amor, em cada praia e enseada, Confiante em encontrar-te e viver nossa jornada. Nossos passos descalços, lado a lado na areia, Com a brisa do mar sussurrando o que o nosso coração anseia, Com a alegria e a leveza da vida a nos abraçar, Na união dos nossos pés, como uma dança a se performar. Onde estará você, meu elo indivisível? Será que nosso encontro está destinado aos traços do imprevisível? Busco pelos rastros que me guiam em sua direção, Ao rumo do amor, à nossa conexão. Na cadência das ondas, ecoa a nossa melodia, Unindo duas almas em perfeita sintonia. O sol que brilha intensamente é testemunha do nosso encanto, E em cada passo dado, construímos um novo recanto. Onde estará você, minha metade perdida? Quero entrelaçar-te em meus braços, num abraço de vida, Para juntos trilharmos nossos caminhos, De mãos dadas e pés compassados, sem temores, como eternos vizinhos. Por entre praias d...

Por que eu escrevo?

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“- Por que você escreve?” Eis sua pergunta. Tuas indagações sempre exigem uma reflexão profunda, Queres desnudar os mistérios que  minh'alma  fecunda. Lamento dizer-te que meus motivos não são tão astutos. Escrevo para dar voz a sentimentos ocultos, Para fluir palavras como rios, em melodias de resultados incultos. Escrevo para pintar quadros com letras, Revelando paisagens internas, as mais secretas, as mais estreitas. As palavras são pincéis que traçam emoções, Transformando o vazio em exóticas criações. Escrevo para tocar a mente, Despertar a reflexão, a ideia latente. As letras dançam em prosa, rimas e versos, Atravessam barreiras, conectam universos. Escrevo para celebrar a liberdade, cessar a vontade, Liberar pensamentos, romper a obscuridade. As palavras dão asas que voam além do tempo, Elevam o espírito, libertam do tormento. Escrevo para eternizar memórias passageiras, Guardar lembranças, preservar besteiras. As linhas se entrelaçam, formando um legado, Um tesouro de ...

A vida

O nascer, o chorar, o acalentar O crescer, o engatinhar, o andar A queda, o susto, o levantar A vida O ouvir, o aprender, o falar O querer, o pedir, o implorar Não saber, não poder, não tocar A vida O sair, o curtir, o voltar Cochilar, dormir, despertar Ficar, partir, viajar A vida Desejar, se apaixonar, se entregar Lutar, desistir, persistir Buscar a felicidade, se permitir A vida O amar, o sofrer, o perdoar O abraçar, o beijar, o afagar Juntar, separar, reencontrar A vida O competir, o vencer, o perder O sorrir, o chorar, o esquecer O lembrar, o seguir, o ser A vida A batalha, a conquista, o recomeço A caminhada, a corrida, o tropeço Acalmo, emociono, enfureço A vida Procurar, explorar, desbravar Cultivar, sonhar, realizar Aproveitar, fracassar, não parar A vida Quando se aproximar do último suspiro Que ainda haja motivo pro riso Quando se sentir sozinho Recordar todo o caminho Quando não houver o que fazer Olhar pra trás sem se arrepender Quando chegar a inevitável despedida E ainda...

Quase

É quase como se não fosse... Que sete e sete são doze, e não catorze Que cada gesto se transforma numa pose Que o sabor amargo pode ser o mais doce É quase como se não fosse... Que a luz ofusca o dia Que o sorriso relativiza a alegria Que a alma aquece o que o corpo esfria É quase como se não fosse... Que a lucidez incentiva a loucura Que choro e espirro não se segura Que a pior doença também traz a melhor cura É quase como se não fosse... Que a ignorância produz o conhecimento Que a insensatez fortalece o sentimento Que o silêncio vocifera o lamento É quase como se não fosse... Que a saída também é uma entrada Que a queda também é uma escada Que a visão é turva quando a língua é afiada É quase como se não fosse... Que o prêmio do abstêmio é a embriaguez Que a sabedoria do boêmio é a estupidez Que o triunfo do abastado é a mesquinhez É quase como se não fosse... Que o beijo pode matar  Que a dor pode salvar  Que a proximidade pode afastar É quase como se não fosse... Que quere...

Telas

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Estou cercado delas Cerceado por elas Minha imagem reflete em todas Mas eu não reflito sobre nada Todas me monitoram Parecem me conhecer muito bem Mas eu não me reconheço Todas me seguem Numa jornada solitária Encontro-as em qualquer lugar Perco-me nelas facilmente Vejo todas Não enxergo nada São feitas pra assistir Sem oferecer assistência Sugam ao máximo Sem dar a mínima São muitas e imensas Que me isolam e me apequenam Imagens de alta resolução Que não resolvem nada Retinas focadas Mentes ofuscadas Telas multicoloridas Vidas sem aquarelas

Alegria

Estou de volta, sem revolta, à porta Envolto em seus braços Me desfaço dos percalços Seu sorriso encantador Seu olhar acolhedor O peito explodindo de amor Não tardo a me entregar Não há por que negar Todo o afeto que tens pra dar Suas palavras me convidam Seus lábios me provocam Exponho o que me acalma Aquieto a minha alma És mulher de contradições De razões e emoções De silêncios e sermões De Clarice e Camões És plena e pequena Sensível e serena Com dó e sem pena Solução e problema De respiração ofegante Carisma contagiante Jeito apaixonante E toque inebriante Nesse momento sem preço Dos problemas me esqueço Não questiono se mereço Simplesmente reconheço O mundo já não interessa Do tempo, exijo que não tenha pressa Que não ouse passar Que impeça o fim de chegar Saboreando dessa paz Que não havia provado jamais Sinto-me o mais tolo dos mortais Em devaneios de rimas banais Imagino o futuro Observo o escuro Longe do barulho Onde fico mais seguro Tentando evitar o que já sabia A partida q...

Fones de ouvido

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No barulho individualizado Do silêncio generalizado Os corações batem acelerados No compasso dos passos apressados Os gritos de socorro emudecidos Em contraste com olhares aflitos De influenciadores atores Vivendo sem ter vivido  A boca quer falar Os ouvidos não querem escutar Há muito a batalhar Nem tanto a se ganhar O brado, a buzina, o xingamento O Eu, o Meu, o lamento  Na corrida contra o tempo Entorpeço em contratempos  A loucura que perdura Dos desejos e sua incessante procura Tudo se confunde, nada se mistura Não resta opção! Cada um na multidão Carregando sua mentira de estimação Na ditadura da beleza O pior crime é a fraqueza  O estalo do beijo, o gemido do abraço, a gargalhada desmedida O choro, o adeus, a despedida  Tudo se esvai; tudo perece na audição seletiva Entre filtros me infiltro  Espalhando boatos, criando mitos Cultuando corpos, desvirtuando espíritos  Trocando histórias duráveis Por stories  descartáveis Diminuo a gentileza e...

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Eu vou, eu quero, espero, tolero, reitero. Ninguém pensa como eu; ninguém vê o que eu vejo. Penso o impensável, vejo o invisível. É tão óbvio! Emudeço-me aos barulhos do mundo; ensurdeço-me nos silêncios da alma. Calma, ressalva. Calo-me! Eu saio, retraio, distraio, contraio. Recaio! Ninguém está onde eu estou; ninguém vai aonde eu vou. Vagueio no intransponível; mudo-me no imutável. Permaneço no transitório. Avante! Minha paciência é testada; minhas necessidades são negligenciadas. Desejo; despejo; desdém. Engulo, seco, espesso. No passo, um tropeço. No fim, um começo. No vestir, o avesso. Na alegria, entristeço. Pereço! Jamais! Da dor, o alívio; da loucura, o equilíbrio; da luta, o martírio; da escuridão, o brilho; da memória, resquício. Paz, delírio! Reconto, aponto, reescrevo. Sem medo, percebo. Escolhido, encolhido; dividido, subtraído. Traído! Amado, armado; multiplicado, somado. Sumido! Pensamentos, aos montes! No cu...

Com você

Eu quero fazer a viagem mais distante Ouvir a canção mais entediante Sentir o calor mais maçante Desde que seja com você Eu quero sair pra dançar Quero ficar e descansar Olhar, sentir, cheirar Desde que seja com você Eu quero dormir, sonhar, roncar Quero a insônia, a ansiedade e a irritação Quero o aperto do abraço e o afago da mão Desde que seja com você Eu quero o desejo, a vontade e o beijo A conversa, a briga e o cortejo Quero a partida, a saudade e o recomeço Desde que seja com você Eu quero concordar e discordar Escutar, opinar, reclamar Me conter, relevar, aturar Desde que seja com você Eu quero o computador, o telefone e o aplicativo Assoviar e cantarolar sem motivo Quero o choro e o riso Desde que seja com você Eu quero a tarde, a noite e a manhã A amiga e também a irmã O mais, o menos e o tanto faz Por cima, por baixo, de lado e por trás Desde que seja com você Eu quero o corpo, a alma e a mente Estar triste, nervoso e contente Não import...

A caminho da confirmação

Num belo dia de domingo, algo me chamou atenção Um aviso dado por nosso padre me soou como uma convocação Ele dizia: “Aqueles com desejo de se crismar já podem fazer a inscrição.” E eu pensei comigo mesmo: - Ué, por que não? Um documento de identidade e um pouco de coragem, foi tudo que precisei. Fui até os responsáveis e meu nome coloquei No domingo seguinte, pra começar a jornada As ruas pelos jovens foram tomadas E juntos demos início a nossa caminhada Na Escola Agrícola ao catecumenato crismal fomos apresentados E voltamos pra casa, já imaginando o dia em que seríamos crismados Alguns dias depois, enfim, a primeira reunião iria acontecer Eu estava muito animado, só faltou convencer o aparelho de DVD É, fica pra próxima né?! Paciência, fazer o quê?! Só que, a cada novo encontro o número de pessoas ia diminuindo E os muitos jovens que vi na escola, pareciam estar sumindo As várias turmas que antes eram divididas por idade Se transformou em uma única unidade Os animadores, também fora...

Magnificat pessoal

Glórias ao Senhor, glórias ao Senhor Meu Rei e meu Salvador O Senhor fez em mim maravilhas Louvado seja Deus pela minha vida Tantas vezes eu quis fugir Mas meu Deus em sua misericórdia, me fez Seu grande amor sentir; Santo, Santo é o Senhor Meu Rei e meu Salvador Ele que me purifica, me edifica e me completa Que eu me humilhe pra que Sua glória seja eterna Tu és espírito de amor e sabedoria que não nos julga por aparência Derramai sobre mim os teus dons: inteligência, piedade, fortaleza, conselho, temor e ciência Pra que eu seja uma árvore que dê os frutos da Tua bondade Eu te louvo ó Senhor, Te louvo em verdade E quando o pecado da soberba e do orgulho pairar em meu coração Ó Senhor, vinde estende a Tua mão Pra que eu não trate a nenhum outro com desdém A Ti sejam dadas: toda honra, toda glória, agora e para sempre. Amém!

Confissões de um descobridor

Refletindo sobre a vida Fiz uma grande descoberta: Quando se trata de besteira A gente é perito em fazer merda! Durante muito tempo Pra mim só havia uma conclusão: Vontade divina, amor de Cristo... Isso é tudo ilusão! Falar de Deus era algo banal Religião, igreja, missa, comunhão... Não passava de mera regra social Sendo sincero comigo mesmo Descobri o que eu já sabia Na minha cabeça, no meu coração, naquela vida Deus ali não existia. Se ia pro céu ou pro inferno? Isso pouco me valia Mas uma coisa eu garantia: Era melhor ser ateu, do que viver na hipocrisia! Porém, no Dia da Independência O milagre aconteceu E num 7 de setembro Este pecador que vos fala, enfim se converteu Numa experiência inexplicável Foi o Senhor quem me descobriu E eu repetia pra mim mesmo:  – É, a casa caiu! Onde estavam meus argumentos Que sempre me fizeram questionar? Naquele momento, pouco importava A única coisa que eu queria era ch...

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