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Coisas que não gostei em Curitiba

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Há muitos fumantes Eu sempre achei impressionante o quão é comum conhecer pessoas que fumam em Curitiba. Não sei se tem relação com o clima frio ou outra coisa, mas a impressão que eu tenho, diferente dos outros lugares em que morei, é de que, em Curitiba, fumar é a regra e não fumar é a exceção. Inclusive, achei bem cômico e me surpreendi quando vi que em muitas empresas há até um espaço reservado chamado "fumódromo". As pessoas te avaliam pelo bairro que mora Eu imagino que isso não seja uma exclusividade curitibana, mas o que me chamou atenção é que isso parece ser uma abordagem inicial padrão. No exato momento que você conhece alguém, ela em seguida vai perguntar em que bairro você mora. E ao responder, você perceberá pela reação se houve aprovação ou não na sua resposta. Há muitos moradores de rua Eu sei que isso não é uma coisa só de Curitiba, mas um problema principalmente das grandes cidades brasileiras. Só que o que me impactou é uma certa naturalidade quanto a isso.

Telas

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Estou cercado delas Cerceado por elas Minha imagem reflete em todas Mas eu não reflito em nada Todas me monitoram Parecem me conhecer tão bem Mas eu não me reconheço Todas me seguem Numa jornada solitária Encontro-as em qualquer lugar Me perco nelas facilmente Vejo todas Não enxergo nada São feitas pra assistir Sem oferecer assistência Sugam ao máximo Sem dar a mínima São muitas e imensas Que me isolam e me apequenam Imagens de alta resolução Que não resolvem nada Telas multicoloridas Vidas sem aquarelas

Paradoxos sociais

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Por que as pessoas afirmam que se deve ter autoestima e autoconfiança, mas quando se tem, rotulam-no como metido e alguém que "se acha"? Por que todos querem ter uma vida sossegada, mas orgulham-se de dizer que suas vidas são corridas e sofridas? Por que, de maneira geral, a maioria das pessoas não sabe o que fazer com a própria vida, mas mesmo assim desejam viver para sempre? Por que se eu quiser saber o que tem no seu celular é invasão de privacidade, mas você querer saber no que eu estou pensando não é? Por que tenho que aturar todos os assuntos alheios, mas os outros não podem lidar com o meu silêncio? Por que você tem o direito de mandar falar, mas se eu mandar você se calar é falta de educação? Por que as pessoas reclamam de ter que trabalhar, mas se vangloriam de ter começado a trabalhar jovem? Por que as pessoas proclamam que é importante saber ouvir, mas reprimem quem fala pouco? Por que as pessoas têm tantos “por quês”, se cada um escolhe o “porquê” que l

Alegria

Estou de volta, sem revolta, à porta Envolto em seus braços Me desfaço dos percalços Seu sorriso encantador Seu olhar acolhedor O peito explodindo de amor Não tardo a me entregar Não há por que negar Todo o afeto que tens pra dar Suas palavras me convidam Seus lábios me provocam Exponho o que me acalma Aquieto a minha alma És mulher de contradições De razões e emoções De silêncios e sermões De Clarice e Camões És plena e pequena Sensível e serena Com dó e sem pena Solução e problema De respiração ofegante Carisma contagiante Jeito apaixonante E toque inebriante Nesse momento sem preço Dos problemas me esqueço Não questiono se mereço Simplesmente reconheço O mundo já não interessa Do tempo, exijo que não tenha pressa Que não ouse passar Que impeça o fim de chegar Saboreando dessa paz Que não havia provado jamais Sinto-me o mais tolo dos mortais Em devaneios de rimas banais Imagino o futuro Observo o escuro Longe do barulho Onde fico mais seguro Tentando evitar o que já sabia A partida q

Nordestinos

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O nosso Deus não é o deles. A pátria deles não é a nossa. A nossa família não é a deles. A nossa liberdade é de ser livre para escolher quem eles disserem para escolhermos. Para eles, somos ateus, apátridas, indigentes e marionetes. O lema que pregam é: eles acima de tudo, nós abaixo de todos. Nos reduzem dizendo que nossa maior conquista é ter construído a capital deles. Nos humilham dizendo que o nosso maior sonho é comer o corte nobre de um boi. Nos amaldiçoam com um Deus que nos segrega. Querem nos fazer sentir que pertencemos a um país que não nos pertence. Dizem que nossas famílias não têm valores. Relativizam nossa liberdade. Nos xingam! Nos chamam de analfabetos, pobres, preguiçosos! Querem nos intimidar. Tentam nos dividir destilando ódio e preconceito, mas não conseguem. Porque o que nos une é o amor e o orgulho. O amor e o orgulho à nossa história, o amor e o orgulho às nossas origens, o amor e o orgulho de quem nós somos. E não o amor e o orgulho ao dinheiro. E apesar deles

Fones de ouvido

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No barulho individualizado Do silêncio generalizado Os corações batem acelerados No compasso dos passos apressados Os gritos de socorro emudecidos Em contraste com olhares aflitos De influenciadores atores Vivendo sem ter vivido  A boca quer falar Os ouvidos não querem escutar Há muito a batalhar Nem tanto a se ganhar O brado, a buzina, o xingamento O Eu, o Meu, o lamento  Na corrida contra o tempo Entorpeço em contratempos  A loucura que perdura Dos desejos e sua incessante procura Tudo se confunde, nada se mistura Não resta opção! Cada um na multidão Carregando sua mentira de estimação Na ditadura da beleza O pior crime é a fraqueza  O estalo do beijo, o gemido do abraço, a gargalhada desmedida O choro, o adeus, a despedida  Tudo se esvai; tudo perece na audição seletiva Entre filtros me infiltro  Espalhando boatos, criando mitos Cultuando corpos, desvirtuando espíritos  Trocando pessoas amáveis Por stories  descartáveis Diminuo a gentileza e não ouço a razão  Amplifico o ódio, a cob

Um fazendeiro que detenha a propriedade de nascente de água desde setembro de 1988 pode invocar direito adquirido contra a norma constitucional, oriunda do poder constituinte originário, que estabeleceu a dominialidade pública dos recursos hídricos?

A questão é falsa! O fazendeiro não poderá reivindicar direito adquirido frente à uma nova Constituição promulgada, pois esta trata-se de um Poder Constituinte originário ilimitado, isto é, não se sujeita à ordem jurídica anterior. O novo texto constitucional ocasiona uma "ruptura" e todo o Direito começará a partir dele. Assim, as leis anteriores só gozarão de validade jurídica se estas obedecerem à nova Constituição.